A Globalização não trouxe só internet, cinema "hollywoodesco", comida uniformizada e o velho "politicamente correcto" - trouxe acima de tudo a morte (ou, na melhor das hipóteses, o definhamento) das ideologias ou sistemas de pensamento.
Pode parecer ingrato dizer isto se pensarmos que foram os portugueses que iniciaram este movimento de aproximação dos povos da terra, há cerca de 600 anos atrás ...
Não sou contra a Globalização (enquanto aproximação dos povos)! Sou contra - isso sim - a preguiça intelectual, o "encarneiramento", as soluções empacotadas e prontas a consumir. O excesso de materialismo e aparato ("o verniz postiço" de que falava Eça, nas bocas de João da Ega e Carlos da Maia, nos "Maias") leva - na minha modesta opinião - ao afastamento do mundo intelectual e à percepção da verdadeira natureza das coisas.
Pensemos na política portuguesa e nos "ideários" dos nossos partidos: o que separa, hoje, verdadeiramente, PSD e PS? Os portugueses não conseguem distinguir a prática porque os partidos não se esforçam por começar por explicar as diferenças teóricas ... Apenas os lugares, as prebendas, as honrarias e os vulgarmente conhecidos "tachos" parecem interessar ...
Se perguntarmos aos militantes (que deveriam ser à partida os mais conhecedores e melhor informados) de PS e PSD por que razão recaiu a sua opção num ou outro partido, que resposta(s) obteremos? Creio que apenas uma minoria (infelizmente) saberá que, por exemplo, o PSD procura conciliar um pensamento humanista e personalista com um certo progresso social e económico ... E que o PS procura aliar uma sociedade com menos desigualdades à defesa de um ideário democrático? Creio que não (mas oxalá que sim) ...
Se desejam aprofundar as vossas leituras sobre esta área da História das Ideias Políticas em Portugal, deixem-me recomendar alguns nomes e/ou obras: Jaime Nogueira Pinto ("A Direita e as Direitas", DIFEL), José Pacheco Pereira (Biografia política de Álvaro Cunhal e estudos sobre o comunismo actualizados no blog "Abrupto"), João Carlos Espada (artigos no "Expresso"), António Barreto (artigos no "Público") e José Adelino Maltez (artigos no "Diabo" e "Repertório do Pensamento Político Português").