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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Adivinhem quem tinha razão em 2009?

Artigo no Expresso de 3 de Outubro de 2009:

"O nosso nível de endividamento externo, o aumento do desemprego, o desequilíbrio das contas públicas, a baixa produtividade, a perda de competitividade, a divergência com a União Europeia constituem problemas estruturais muito sérios"

"Se não soubermos inovar, poupar e investir de forma produtiva [...] não será fácil explicar o que nos espera"

Manuela Ferreira Leite:
- Sempre falou que a dívida era imensa e um pesado fardo a combater
- Que não fazia sentido fazer mega-investimentos públicos, porque não havia dinheiro para pagar
- Que o TGV não poderia ser feito agora
- Que o PS não estava a falar verdade aos Portugueses

E ESTAVA EM TUDO CERTA!!!!!

Veja-se esta actualíssima análise de Luís Marques Mendes feita em 24 de Setembro de 2009, no Jornal I, sobre a urgência de ter votado PSD...

Também encontrarão uma boa leitura "reflexiva" sobre o que poderia ter sido votar PSD em 2009, através da pena de Sofia Galvão, então vice-presidente laranja, aqui

E, já agora, este texto de Biancard Cruz sobre a diferença entre PS e PSD.

Quem votou Sócrates 2009 sabia muito bem que era Sócrates...
Agora não se queixem!

quarta-feira, 10 de março de 2010

A Razão dos Justos


Na civilização da imagem e da publicidade, um logro muito bem vestido e com boa imagem (com "liftings" e "botox") pode "vencer", eleitoralmente, a experiência, a serenidade, a anti-política (no fundo) e a verdade.

Serve isto para dizer que, com a ilusão ignara da facilidade e a manipulação retórica do discurso político, o povo português (felizmente não todo) preferiu um vigarista, um mentiroso e um desqualificado como José Sócrates a uma pessoa íntegra, vertical e rigorosa como Maria Manuela Dias Ferreira Leite.

Manuela Ferreira Leite tinha TODA a razão quando denunciou o endividamento galopante e a necessidade de conter o investimento "faraónico" para que, antes de tudo o mais, se pagasse o que se deve - princípio que, para o PS, é "letra morta"...

Sócrates disse que não - claro... Era o futuro que estava em causa... o país não podia ficar parado com "complexos salazarentos" e outras patacuadas... etc... etc...

Afinal quem tinha razão?

Quem sai vitorioso?

Manuela Ferreira Leite e o principal partido da Oposição - o PSD.

Que, mérito lhe seja feito, tem apresentado muita lucidez nesta área particular.

A Presidente do PSD "sai de cena" com grande dignidade e com mais uma vitória política pessoal.

Para ela a minha homenagem e o meu respeito mais vivo.

domingo, 18 de outubro de 2009

O que falhou no PSD?


Depois de um ciclo eleitoral em que - muitos se parecem esquecer - o PSD venceu 2 das 3 eleições que se realizaram: europeias e autárquicas (tendo apenas perdido as legislativas), é chegado o momento de nos sentarmos todos (sobretudo os que, como eu, são "laranjas") e de reflectirmos no que aconteceu e como se poderá evitar erros semelhantes no futuro:
  1. A eleição de Manuela Ferreira Leite representou uma mudança de paradigma nas últimas lideranças políticas do PSD - um perfil mais austero, mais prudente, menos efusivo e, sobretudo, com menor "verbo" e menos capacidade empática (o que se traduz, inevitavelmente, em menos "carisma" - algum deste, diga-se, tem sido cada vez mais insuflado e fabricado pelos "fazedores de opinião" e pela imprensa ...)

  2. Esta liderança afirmou, desde cedo, que o seu lema e o seu grande projecto político seriam a reabilitação do país através da confiança na verdade e na transparência como formas de acção: a política de verdade. Desta forma, assumindo compromissos e não fazendo promessas, estabelecer-se-ia uma relação de confiança com o eleitorado e restaurar-se-ia algum do prestígio perdido das instituições.

  3. Por outro lado, Manuela Ferreira Leite afirmou a sua vontade de não realizar comícios e grandes manifestações de "política-espectáculo", mantendo uma linha de coerência face à sua leitura da grave situação económica e social do país. Nesta mesma linha de acção política preferiu o contacto de proximidade com as populações e as empresas - o que se reflectiu, naturalmente, na sua campanha eleitoral.

Definidas as grandes linhas gerais, vejamos o que se passou no espaço de tempo entre Maio e Setembro de 2009:

  1. O PSD vence, de forma clara, as eleições europeias (em grande parte pela extraordinária força e capacidade de Paulo Rangel), deitando por terra a estratégia da "roubalheira" de Vital Moreira (que chamou à colação numas eleições europeias o caso BPN, colando-o ao PSD) e os ataques sucessivos da clique socretina. Também, internamante, Manuela Ferreira Leite vence a "sua" batalha: Paulo Rangel foi uma aposta pessoal da líder do PSD! Foi uma cartada alta, arriscada, já que Paulo Rangel vinha fazendo um extraordinário trabalho na Assembleia da República, enquanto líder parlamentar, mas - e bem - entendeu a Presidente do PSD que era necessário começar o ciclo com um "trunfo".

  2. Este triunfo garante a Manuela Ferreira Leite um grande balão de oxigénio, já que, como é consabido, a intriga e a guerrilha interna no PSD nos últimos anos tem sido, verdadeiramente, autofágica e em muito tem contribuído para o desgaste e a perda de eleitorado do Partido. Não nos esqueçamos que uma eventual derrota, mesmo que pequena, poderia ser logo sinal de "pedido de cabeça" e de novo ciclo de instabilidade, desviando-se o partido daquilo que deevrá ser essencial: o país.

  3. No caminho para as Legislativas, Manuela Ferreira Leite termina o Forum "Portugal de Verdade" (na minha opinião, um dos maiores contributos desta liderança para a afirmação de um projecto de governo alternativo e para a convocação de esforços e de vontades - nomeadamente independentes, onde destaco os fantásticos contributos de Belmiro de Azevedo, João César das Neves, Nuno Crato, Daniel Bessa, Maria José Nogueira Pinto e tantas outras figuras de primeiro plano). Para além disso, afirma a sua linha orientadora (até aqui coerente) e que parece estar a ser bem assimilada pelos portugueses (a tal ponto que as sondagens mostram uma tendência até ao final do verão: a proximidade "taco a taco" entre PSD e PS).

  4. Mês de Julho-Agosto. As listas de deputados são enviadas pelas Comissões Políticas Distritais (depois de terem sido aprovadas nos plenários das Assembleias Distritais) para a Comissão Política Nacional, que vai dar o seu parecer sobre as mesmas. Balanço: uma boa parte dos cabeças de lista propostos pelas distritais são substituídos por Manuela Ferreira Leite e pela sua equipa (ex: em Vila Real - Passos Coelho é preterido por Montalvão Machado; Faro - Mendes Bota é preterido por Jorge Bacelar Gouveia; em Santarém - Miguel Relvas é preterido por José Pacheco Pereira; em Bragança - Adão Bastos é preterido por José Ferreira Gomes, etc ...). Para além disso, a líder - pessoalmente - assume a escolha de António Preto e Helena Lopes da Costa, 2 deputados envolvidos em processos judiciais ainda não concluídos e em fase final. No caso de António Preto, a escolha é duplamente simbólica: trata-se de um aliado de longa data da agora Presidente do Partido, que contou com o seu apoio na eleição como Presidente da Distrital de Lisboa (e vice-versa) e que está envolvido no célebre "caso da mala" (infelizmente célebre) que está relacionado com a angariação de fundos na campanha eleitoral interna para a Distrital.

  5. Acresce que, por opção política também pessoal, Manuela Ferreira Leite optou por não incluír na lista o seu adversário nas eleições internas: Pedro Passos Coelho, bem como Miguel Relvas (um dos mais próximos apoiantes do primeiro). Esta opção acabou por ter como consequência uma lista menos ampla, menos representativa, mas que procurou ter uma bancada una em torno da direcção do Partido. Naturalmente que, por um lado, compreendo que Ferreira Leite quisesse (como toda a gente quer, é bom que se diga) uma bancada leal, mas é também verdade que o grupo parlamentar perdeu vozes que lhe poderiam dar, eventualmente, mais riqueza e diversidade.

Foi neste quadro que o PSD partiu para a campanha eleitoral para as eleições legislativas, sendo que se confrontava com as seguintes dificuldades:

  1. A "política de verdade" foi afectada pela escolha de António Preto e Lopes da Costa
  2. O Partido não encarou este combate unido, mas fragmentado nas "velhas" disputas internas (atiçadas pela não escolha de Passos Coelho e pela acusação de que estaria a avançar paar uma linha de facção - o que foi um risco desnecessário)
  3. Uma imprensa marcadamente hostil e que aproveitaria o primeiro sinal para "cilindrar" o partido, já de si um pouco fragilizado por declarações sucessivas na imprensa

A força comunicacional do Partido Socialista (que gasta milhares e milhares em "marketeers" e assessorias de imprensa) e a lógica vitimizadora de Sócrates (para não dizer mentirosa e baixa), aproveitando a seu favor as antigas - e sólidas - ligações entre Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite para "subentender" favorecimentos de Belém ao PSD ...

No final das eleições, porque perdeu o PSD?

  1. Porque na recta final, em primeira instância, não se mostrou mobilizado e unido para o grande combate (note-se que foi, praticamente, a JSD - onde me incluo, com muito gosto e em torno da qual participei neste grande combate - e o núcleo duro de Ferreira Leite - com o concurso de uma/outra "figura nacional" que estiveram ao lado de MFL)
  2. Porque a mensagem não passou e o projecto não pôde ser clara e correctamente apreendido pelas pessoas (presas nos "soundbites" socialistas - como as acusações de que MFL era "salazarista" ou o medo da perda de direitos, ou a privatização da segurança social, enfim ... valeu tudo no jogo sujo do PS!)
  3. Porque MLF foi posta em causa - numa altura em que o que mais importava era o país - pelos seus companheiros de partido (que não souberam por de lado velhas divergências pessoais em vez de reconhecerem o perfil e competência da candidata)
  4. Porque o "caso das Escutas" prejudicou objectivamente o PSD (sendo que foi um erro dedicar tempo de antena, durante a campanha a este tema, mordendo o "isco" da imprensa)
  5. Porque MFL foi educada e "limpa" nos debates (e os portugueses gostam de líderes autoritários, mandões, que imponham "respeitinho" - o português gosta de ser "mandado")

Por último julgo que os portugueses talvez não quisessem um Primeiro-Ministro rigoroso, exigente e, acima de tudo, responsável

A ver vamos qual o destino deste país e o seu futuro

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Manuela Ferreira Leite "Live"

O Grupo Amarelo da UV (Universidade de Verão) 2009, na presença do magnífico Reitor Carlos Coelho (da esquerda para a direita: 3º na fila de trás) e da Dra. Manuela Ferreira Leite, Presidente do Partido (ao centro, com as "cores" do inimigo :)

Consta-se que andou por lá um senhor que dá pelo nome de Gonçalo Marques e que parece (não tenho a certeza ...) ser o 1º da fila de trás, vestido de laranja (porque será ?)

Tudo intrigas, notem bem ...

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais uma imolação no PSD

O PSD parece perito em eliminar os seus melhores, as suas grandes referências e em esquecer que o seu verdadeiro combate está naqueles que, repetidamente e ao longo destes 15 anos, tão mal têm feito a Portugal: os Socialistas!

Depois de Fernando Nogueira e Pedro Santana Lopes é agora a vez de Manuela Ferreira Leite perecer politicamente às mãos daqueles que deveriam combater Sócrates e o seu (des)governo.

É inaceitável que a intervenção ingénua e politicamente irresponsável de Cavaco Silva no chamado "caso das escutas" tenha tido como única consequência visível o claro prejuízo do PSD na campanha (com bastonadas de todos os lados, como se Manuela Ferreira Leite estivesse no lugar de PM e não Sócrates!). Mais uma vez - e depois dos 2 casos já referidos em cima - Cavaco é o máximo e directo responsável pela imolução de mais um candidato a primeiro-ministro do PSD!

É evidente que Manuela Ferreira Leite cometeu muitos erros tácticos - a política é, a este nível e cada vez mais (infelizmente) um jogo táctico - e que teve alguma naturalidade nas suas declarações (o que, na minha opinião, é fantástico) que objectivamente a prejudicaram ...

Tenho pena de ver que o meu Partido trata tão mal as suas grandes referências e baluartes, em prol de "vitórias" (vitoriazinhas de poderes pessoais, pequenos feudos dentro do partido) e de outras jogadas que me recuso a comentar, pela sua vil baixeza ...

Foi o caso de Manuela Ferreira Leite: uma grande Senhora, com grande Determinação, Força, Competência e Seriedade que tão bem faria a um país pobre, pobre e desacreditado!

Como é possível que Menezes possa dizer que não participou na campanha porque não foi "convidado"? Acaso é mais militante que eu ou qualquer outro que participamos nesta campanha espontaneamente e com a única e verdadeira vontade de colocar alguém competente e sério à frente deste país!?

Ter-se-á esquecido Menezes que o seu filho Luís Menezes era candidato a Deputado (e foi eleito) pelo Distrito do Porto? Não lhe ficaria bem - até por isso - estar pronto para batalha e lutar, de coração aberto - como disse repetidamente na Sic Notícias e noutros espaços, junto da direcção e das bases pela derrota de Sócrates?

Entristece-me ver que aqueles que tanto lutaram contra o "baronato" e as "elites" estão hoje a tornar-se "aristocratas" e manipuladores - nas sombras - do Partido na comunicação social!

A grande sangria do PSD neste momento é provocada por pessoas que anseiam viver à custa deste grande partido para serem "gente".

Porém, não passam de "gentalha" ...

domingo, 20 de setembro de 2009

Lemas Fortes

Há lemas que são fortes, que incomodam, que nos fazem pensar e que angustiam muitos ...

Tal acontece com o mote da campanha de Manuela Ferreira Leite: a política de verdade.

Falar verdade, com clareza e sem receio (quanto a cálculos eleitoralistas de ocasião) tem sido a grande força de Manuela Ferreira Leite nesta campanha.

A Presidente do PSD disse, claramente:
  • Que a sua prioridade no governo é o combate ao desemprego (dando apoios às pequenas e médias empresas - nomeadamente pagando as dívidas que o Estado tem para com estas e resolvendo, de forma mais premente, os seus problemas de tesouraria, dando-lhes capacidade de investimento e de criação de emprego).
  • Que mantém a aposta no Estado Social e no Serviço Nacional de Saúde
  • Que defende mais exigência e rigor na Educação, prestigiando os Professores
  • Que é necessário tornar a justiça mais ágil e credibilizá-la
  • Qual o seu modelo de família (e que esta é a base da sociedade, sendo necessário apoiar a constituição de novas famílias)
  • Qual a sua opinião em relação às grandes obras públicas (não se podem fazer neste momento porque o país tem um endividamento de 100% do PIB)
  • A sua aposta na agricultura, no mar e na reabilitação do património

Enquanto isso, Sócrates faz uma campanha de ataque pessoal TOTALMENTE dirigida à Presidente do PSD - talvez por ter medo da sua seriedade, rigor e competência e temendo que os eleitores comecem a pesar estes factores numa lógica comparativa ... Claro - como eu o percebo!

Para terminar dizer que, tal como a "mudança" triunfou com Obama (um lema forte e galvanizador), também em Portugal, com Manuela Ferreira Leite, a "verdade" triunfará sobre o "avanço" de Portugal para o abismo (com o lema "Avançar Portugal").

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Por quê votar em Manuela Ferreira Leite? (4)

  • Porque tem um currículo académico e político relevante e de qualidade
  • Porque é honesta e competente
  • Porque é determinada
  • Porque não faz política como os outros políticos
  • Porque é capaz de lutar contra grandes forças

PORQUE é, de longe, a melhor primeira-ministra que Portugal pode ter num momento em que o país vagueia, sonâmbulo, rumo ao precipício ..,

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Fantástica Manuela

Manuela Ferreira Leite apresentou-se hoje - em grande forma - no "esmiuça os sufrágios", dos Gato Fedorento. Solta, descontraída e - fiel ao seu estilo - serena ao mesmo tempo.

Desde o princípio que MFL entrou em amena cavaqueira com Ricardo Araújo Pereira. Meteu-se com o entrevistador por causa das suas preferências políticas (e a propósito da questão casamento-procriação, lançando a "batata quente" de forma muito hábil) e consegiu arrancar deste membro dos "gato" alguns sorrisos indisfaçáveis.

A grande vantagem de MFL é que toda a gente tem sempre fracas expectativas em relação ao seu desempenho televisivo - e a Presidente do PSD, consciente deste seu papel de "outsider" mediática, aproveita, brilhatemente, esta vaga de fundo adversa transformando-a num trunfo a seu favor!

Este é, neste momento, um dos grandes trunfos de MFL nesta campanha: a sua argúcia política.


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Por quê votar em Manuela Ferreira Leite?

Porque é uma pessoa responsável, honesta e que tem um percurso profissional e político que lhe dão a experiência e a prudência necessária para resgatar Portugal do covil de incompetência que se abateu sobre a nossa pátria.

Além do mais, é uma figura respeitada e prestigiada na Europa e não assumirá, certamente, uma posição de caixeira viajante a vender "Magalhães" em cimeiras internacionais, nem fará favores a países mais poderosos - como agora se viu no caso TGV-Espanha.

É, acima de tudo, uma mulher determinada e que tem muita experiência política.

domingo, 13 de setembro de 2009

Debate Claro


Tivemos ontem ocasião de assistir ao debate político - entre José Sócrates (JS) e Manuela Ferreira Leite (MFL) - mais importante para o futuro do país na próxima década. Os interlocutores não podiam ser mais distintos:
  • no que JS é espectáctulo e teatralidade "comunicacional", MFL é austeridade e autenticidade.
  • no que JS é hábil politicamente, MFL é cautelosa e prudente

  • no que JS manipula, MFL fala verdade

Sobre o debate de ontem (mais de uma hora ...) gostaria de começar por dizer que José Sócrates começou mal: mostrou a sua habitual e já célebre asfixia democrática e a sua prepotência sobre Clara de Sousa ao dizer "não era isto que tínhamos combinado" ...

Julgo que, em geral, JS esteve muito nervoso (um dos pormenores que reparei é que não sabia o que fazer às mãos, estava irrequieto, tendia a franzir sobrolho e a mostrar tiques nervosos) e MFL esteve mais calma e serena.

Sócrates passsou mais de 50% do debate a falar dos governos do PSD-CDS (2 anos e meio em 15 anos de contracção económica dominada pelo PS) como se tivesse receio que se falasse na sua própria governação!

Simultaneamente - como sempre - JS esteve mais hábil e manipulador nos "truques" retóricos (é uma "lebre" compulsiva) e MFL acabou por caír nas garras destas artimanhas ...

Contudo, não nos enganemos: MFL é uma "raposa" experimentada e com "calo": desarmou Sócrates quando lhe disse que havia pressões do governo espanhol no sentido de avançar com o TGV para que Espanha viesse a beneficiar de um aumento dos seus fundos de coesão da UE ... Sócrates ficou admirado, surpreendido e lívido (MFL apanhou-o bem!)

Sócrates foi igualmente certeiro quando apanhou em falso MFL na questão das SCUT's ... MFL revelou alguma insegurança neste ponto e podia ter sido mais assertiva ...

Em geral, acho que MFL superou largamente as expectativas com que partia para este debate: mostrou mais fluência e capacidade argumentativa, não se deixou enervar pelas interrupções mal educadas e permanentes de Sócrates (muitas vezes era só para dizer "Meu Deus, Meu Deus" ...) e revelou autenticidade e, no fundo, a sua imagem de sempre: determinada, séria e credível.

JS, como sempre, esteve agressivo e contra-atacante (ainda que com um disfarce de cordeiro mal morto ou de cordeiro "zombie", como queiram), mas acima de tudo dissimulou aquele que foi o seu estilo sobranceiro de 4 anos e meio de governo ...

Julgo que ficou claro o perfil de cada um, as suas ideias contrastantes e o facto de - nunca como agora - os portugueses terem 2 perfis tão alternativos e distintos para escolher.

As melhores análises que li ao debate são da autoria do Alexandre Homem Cristo, do Afonso Azevedo Neves e de Sofia Rocha.

domingo, 23 de agosto de 2009

As próximas eleições II


O post de hoje é uma tentativa de análise ao perfil cruzado e opções políticas (por núcleos temáticos) dos candidatos principais ao cargo de primeiro-ministro de Portugal: José Sócrates e Manuela Ferreira Leite.

PERSONALIDADE
  • Enquanto José Sócrates "tirou" um curso de forma, no mínimo, desajeitada (e estou a ser tão meigo, meu Deus!), tendo inclusivamente feito cadeiras ao Domingo (!) e pede aos portugueses excelência e esforço na aprendizagem, Manuela Ferreira Leite foi considerada uma das alunas mais bem classificadas do seu Curso e recebeu uma Bolsa de Estudos da Fundação Calouste Gulbenkian

  • Enquanto José Sócrates tem uma postura plástica, artificial, de um político de "teleponto", Manuela Ferreira Leite engasga-se, gagueja, não precisa de papel à sua frente e não recorre à política espectáctulo porque tem o essencial: a competência

  • Enquanto José Sócrates é um carreirista da política e um político profissional (do qual não se conhece NADA que não seja governo-PS e PS-governo), MFL desenvolveu uma carreira técnica prossional paralela no Banco de Portugal, na Banca Privada e na docência universitária

  • Enquanto Sócrates mente e é incompetente, MFL é verdadeira, autêntica e competente

OPÇÕES GOVERNATIVAS - INVESTIMENTO PÚBLICO

  • Enquanto Sócrates opta por aumentar o endividamento de forma galopantes, com Otas's/Alcochetes, TGV's, mais betão e Auto-Estradas (apostando num modelo de obras públicas esgotado e estafado), Manuela Ferreira Leite (MFL) prefere reduzir o endividamento apostando em pequenas obras que desenvolvam a riqueza nacional (dando empreg às nossas PME's e não aos grandes consórcios internacionais e às SOMAGUE's e MOTAS ENGIL'S)

  • Enquanto Sócrates entende que o estado é o motor da Economia, MFL defende que o Estado é um árbitro, um regulador, mas não o actor principal da peça que é o desenvolvimento do país (esse deve ser das empresas e dos cidadãos)

OPÇÕES GOVERNATIVAS - IMPOSTOS

  • Enquanto Sócrates aumentou o custo do trabalho, reduzindo a nossa competitividade, MFL defende a redução da Taxa Social Única e de todas as contribuições que encareçam o custo do trabalho, aumentando a nossa competitividade externa e tornando estas prestações (descontos ao fim do mês para a Segurança Social e Saúde) mais leves para os trabalhadores, aumentando o seu poder de compra.

OPÇÕES GOVERNATIVAS - EDUCAÇÃO

  • Enquanto Sócrates humilhou os Professores, tentando que estes se sujeitassem, de forma intelectualmente inaceitável, ao chicote opressor de uma avaliação seguidista e oportunista, MFL já afirmou apostar na restauração da autoridade dos Professores, na criação de oportunidades para que estes se possam qualificar e na (re)valorização do papel da Escola junto do meio local

  • O modelo de avaliação será revisto

  • A política de exames (com mais provas e mais exigência) será revista

OPÇÕES GOVERNATIVAS - AGRICULTURA

  • Enquanto que Sócrates asfixiou e abafou os agricultores (com um péssimo ministro) , MFL pretende devolver prestígio a este sector, dando-lhe capacidade produtiva e apostas estratégicas para o seu desenvolvimento (sobretudo na capacidade exportadora)

Mas, se querem ver mesmo as diferenças, cliquem aqui e percebam que há muito mais para explorar ...


sábado, 22 de agosto de 2009

As próximas eleições I


Começo hoje uma coluna em que me proponho analisar, de forma mais ou menos pormenorizada, o próximo processo eleitoral tendente a escolher os deputados à Assembleia da República e - mais proverbial e popularmente - a próxima composição governativa.

Como sabem, estão esgotados - espero que definitivamente - 4 anos e meio de maioria absoluta, prepotente, autoritária, arrogante e ignorante de José Sócrates e da sua "camarilha" (com um apêndice discreto que dá pelo nome de Partido Socialista).

Nunca (desde o 25 de Abril de 1974), como nestes 4 anos e meio, se snetiu tanto o peso do chicote do Estatismo em Portugal. A tal ponto que os funcionários públicos temem abrir a boca por "respeitinho" ao chefe e por medo de verem as suas carreira prejudicadas por, legitimamente, discordarem - muitas vezes de forma clara e, por que não, "chamando os bois pelos nomes" (mesmo!) ...
  • O Professor Fernando Charrua foi saneado da estrutura técnica da Direcção Regional de Educação do Norte porque - e muito bem - deu à política de Sócrates e à sua própria figura o nome que esta mereciam

  • O Presidente da Câmara Municipal de Vieira do Minho - Padre Albino Carneiro - foi insultado pela inenarrável "popota" Margarida Moreira (a mulher do tal chicote estatista na DREN). Ele que, ainda por cima, é um religioso ...

  • A Directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho foi saneada. Vários Professores foram identificados por - legitima e constitucionalmente - se manifestarem contra as políticas educativas soviéticas e autoritárias do Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues.

  • A Directora do Museu Nacional de Arte Antiga, Professora Doutora Dalila Rodrigues, uma mulher competentíssima e que é - talvez - das pessoas que mais sabe de Museus e de Cultura em Portugal, foi saneada pela anterior titular da pasta da Cultura, Isabel Pires de Lima

E tantos, tantos outros exemplos pelo país todo desta vaga de terrorismo de Estado, em que se usa o poder e a influência sobre a vida profissional das pessoas para as obrigar a pensar pela única cabeça possível: a do Estado macrocéfalo e tentacular, feito propriedade e refém dos absolutos senhores do poder - os Socretinos!

A isto chama-se claustrofobia e asfixia democrática. É com que tenhamos memória!

Independentemente do partido ou convicções políticas que cada um tenha, o essencial é desmascarar estes canalhas, removê-los do poder a todo o custo e votar contra o actual PS!

Continuaremos a analisar, com alguma "malha fina", as incidências deste processo eleitoral


segunda-feira, 8 de junho de 2009

A(s) Vitória(s) e a Derrota


A passada noite trouxe - para muitos incautos - surpresas inimagináveis há umas semanas atrás ...

Suponho - na minha ingenuidade - que estes "incautos" não viajem em transportes públicos, não vão ao mercado ou à mercearia, não vão ao futebol ou a qualquer outro distinto "ajuntamento" de cidadãos (já não falo em manifestações ...!) e que, portanto, desconheçam o sentir e o pensar popular ...

Porque só assim é possível que não tenham percebido que o grande derrotado fosse o PS e as suas políticas trauliteiramente fascizóides, polvilhadas de um cripto-estalinismo e de uns laivos de castrismo!

Mas vamos ao que interessa: a quem ganhou!

Julgo que todos reconhecerão - mais ou menos, com maior sofrimento ou com mais satisfação - que o grande vencedor foi o PSD, que teve que lutar de forma aguerrida nesta campanha eleitoral contra 3 forças principais: a "indústria" das sondagens, a "máquina" de propaganda governamental e o facto-político-consumado de que Sócrates era invencível e que as eleições iriam ser - pese embora a sua manifesta incompetência! - um passeio!!!!

Por outro lado, Manuela Ferreira Leite mostrou "garra" e capacidade de liderança ao afirmar a sua linha política, o seu candidato e ao dizer quem mandava dentro do PSD! Manuela tinha nesta contenda eleitoral 2 batalhas: a interna - que venceu com distinção ao mostrar aos putativos candidatos a líder do PSD que está para ficar e de boa saúde política; e a externa - mostrar aos Portugueses que era capaz de corporizar uma alternativa política de verdade e de competência em contraste com os "sound bites" inconsistentes deste governo.


É preciso não esquecer que Paulo Rangel foi uma escolha pessoal da líder - para desagrado de muitos - e que se revelou uma agradável surpresa para muitos e uma "certeza" confirmada para outros. Outro grande vencedor destas eleições e, sobretudo, uma esperança para o futuro político de Portugal numa razoável hipótese de poder ser Presidente do PSD no largo prazo.

Outros vencedores:
  • o BE: que passa a terceira força política e consegue 3 deputados (!?)

  • a CDU (PCP-PEV): que se consolida e sobe na votação

  • o CDS-PP: que as empresas de sondagens há tanto tempo andam a tentar enterrar, mas no qual a população teima em continuar a apostar, tendo subido a sua votação (Parabéns pela moção de censura e, sobretudo, por aquilo que ela pode representar para o CDS: a apresentação de um programa político alternativo!)

  • Laurinda Alves - rosto no qual o MEP apostou e que lhe valeu alguns milhares de votos (cerca de 2% da votação)pela sua consistência e brio intelectual

  • E finalmente: Portugal - porque ganhou consciência de que, em Democracia, não estamos fatalmente destinados a aceitar passivamente a mediocridade governativa!

VIVA PORTUGAL!




sexta-feira, 8 de maio de 2009

Paulo Rangel


Paulo Rangel é, na minha opinião, no actual quadro político nacional, o maior valor acrescentado que o nosso parlamento possui (possuía) e veio trazer uma verdadeira "lufada de ar fresco" aos velhos políticos botas de elástico que a nossa casa mãe da democracia alberga, qual cativeiro de gerontes.

Rangel é Professor da Faculdade de Direito da Universidade Católica do Porto há vários anos, com grande brilhantismo e qualidade académica (para além da sua produção científica, também ligada ao Direito Europeu).

Fico contente que o meu partido - o PSD - tenha escolhido um excelente candidato, com provas já dadas na nossa arena política doméstica e que, pelo seu perfil, estou certo, muito bem representará o voto de todos os que lhe dêem a sua confiança.

Aliás, vejo na blogosfera uma interessante vaga de fundo de pessoas que partilham desta opinião, mesmo os mais insuspeitos. Julgo que isto revela que, pese embora as preferências políticas de cada um, a qualidade não conhece fronteiras nas habituais "palas" políticas que alguns possam ter.

Manuela Ferreira Leite está de parabéns pelo facto de ter feito esta escolha pessoal, contra a opinião de muita da sua "troika", o que demonstra a sua liderança e capacidade de tomar decisões contra a corrente.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Provocações - Manuela Ferreira Leite


Uma provocação (mais uma) dos fantásticos we have kaos in the garden

domingo, 25 de janeiro de 2009

Já basta de crise!


Hoje decidi fazer um "post" pela positiva, para vos dizer que descobri algo muito agradável: em Itália, Silvio Berlusconi nomeou Ministra da Família uma antiga "miss", a bela Mara Carfagna. Num tempo em que se fala que é preciso prosseguir políticas natalistas e incentivar o valor da Família, parece-me que a decisão de Berlusconi não poderia ter sido mais sensata.
Com esta escolha, por outro lado, temos uma garantia: nos dias frios e na voragem tempestuosa da crise, há pelo menos a certeza de que a bela ministra nos vai aquecer os corações e garantir um aconchego. Com tão boa publicidade à Família, apetece mesmo casar e ter filhos ...

Em Espanha, José Luís Zapatero tem um governo de 9 ministras (contra 8 ministros), incluíndo na pasta da defesa ...

Em Portugal, para mal dos nossos pecados, olhamos para a televisão e ficamos cada vez mais deprimidos: Manuela Ferreira Leite, Maria de Lurdes Rodrigues, Ana Jorge ... É uma periferia europeia que tem na fealdade a sua centralidade!
Que mal fizemos a Deus, afinal?

sábado, 17 de janeiro de 2009

Um tempo de reorganização

Na passada quinta-feira, a presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite teve oportunidade de esclarecer muitas das posições do partido que lidera em questões importantes como os grandes investimentos públicos, a luta contra a crise económica actual e os próximos combates eleitorais. Com grande serenidade e maturidade política, Ferreira Leite rejeitou liminarmente obras megalómanas como o TGV; afirmou que o país se deve "voltar para dentro" e investir toda a folga orçamental nas nossas empresas e na potenciação da nossa economia; disse que a dívida pública aumentou, só no último ano, 67% (penso que é assustador) e que é vergonhoso que em poucos meses, se apresente um orçamento rectificativo que duplica a despesa (note-se que passamos de um défice de 2,2 para 3,9%).
Esteve mal quando disse que o PSD tem marcado a "agenda política" com os temas que tem trazido para a praça pública (as intervenções de Paulo Rangel têm sido "intermitentes" e o comportamento da bancada do PSD ainda não foi esquecido ... e depois houve os imensos silêncios, recorde-se ...).

Por outro lado, MFL teve ocasião de desafiar Sócrates a um debate em que se confrontem as propostas de ambos para o futuro do país - coisa que o primeiro-ministro não aceitou, sem dizer a razão (segundo MFL), mas que permitiu, desde logo, à Presidente do PSD afirmar que o senhor Sócrates está a "jogar à defesa" ... E porque não?

Penso que MFL esteve bem nesta entrevista com uma Judite de Sousa a insistir especialmente na "tecla" da divergência política entre Ferreira Leite e Santana Lopes ... Acho que podia ter colocado outras perguntas para que o país perceba o que pensa a líder da oposição de questões tão importantes quanto o controlo asfixiante da informação pelo Governo, a pobreza crescente, o deesemprego galopante ... enfim ... o que não faltava eram temas ... Mas Judite perdeu-se no "politiquês" intriguento. Já nesta sexta-feira, MFL participou num comício onde denunciou as "queixinhas" feitas por José Sócrates a José Luis Rodriguez Zapatero, segundo as quais a oposição, em Portugal, não aprova a construção do TGV (será que Sócrates está com medo?). MFL não é, nem nunca será (a própria o reconhece com honestidade) uma grande tribuna, mas não esteve mal ...

Este fim de semana teremos também o congresso do CDS-PP (sobretudo deste último = Paulo Portas). Parece que haverá apoio a Santana Lopes na CML e há margem para um entendimento mais alargado nas autarquias ... A ver vamos ... De qualquer forma, ao seu estilo, Portas agarrou-se àquelas que têm sido as bandeiras do seu partido na luta na arena parlamentar e na esfera pública: os impostos sufocantes, as baixas pensões, a insegurança e a necessidade de reforçar o controlo das autoridades, bem como a substituição do actual modelo de avaliação dos docentes.

Penso que este fim de semana pode servir para retemperar baterias na oposição "mais à direita" (até me arrepio de dizer isto porque acho que, no actual espectro parlamentar, não temos ninguém mais à direita que o PS de Sócrates). O país bem precisa de mais energia, mais debate e mais esclarecimento ...