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sábado, 3 de janeiro de 2009

A degradação da nossa democracia

"Fazeis parte de uma canalhocracia que, presentemente, nos governa"
Carta de D. Pedro V ao Marechal Saldanha (Presidente do Conselho de Ministros)

Ao ler a frase que encima este comentário, o estimado leitor poderá pensar - presumo eu que com este tipo de formulação: "bem, já no tempo de D. Pedro V havia deputados preguiçosos, ministros pachorrentos habituados ao clientelismo e líderes políticos acomodados à voragem caciqueira ..."

A minha resposta a esta vossa (nossa) pergunta/interrogação/perplexidade é: SIM! Este fenómeno é secular (quiçá milenar ...) na sociedade portuguesa. O compadrio, o seguidismo, o "yes menismo" e a troca de favores são uma constante em Portugal.

O que fazer para mudar este cenário que se arrasta, penosamente, a ponto de pôr em causa os fundamentos do nosso sistema político? Temos que "reinventar" o modo de fazer política em Portugal: quando chegamos ao ponto de ver "exilar-se" um homem que preparava um projecto-lei para pôr cobro a este flagelo, devemos todos pensar que há uma aceitação tácita - por parte de todos os partidos com representação parlamentar (particularmente do "bloco central") - deste tipo de atitudes.

Como "reinventar" a política em Portugal? Desde logo, mudando todos os interlocutores actuais - deputados, ministros, altos responsáveis da "cúpula" do Estado e substituí-los por "gente virgem" com formação humana de qualidade! Por outro lado, os partidos têm que ser espaços de liberdade e não prisões ideológicas de longa duração - têm que produzir pensamento (e transformá-lo em acção), criar novas plataformas de debate e não punir aqueles que - em consciência - se afastam da "disciplina" partidária.