domingo, 13 de setembro de 2009

Debate Claro


Tivemos ontem ocasião de assistir ao debate político - entre José Sócrates (JS) e Manuela Ferreira Leite (MFL) - mais importante para o futuro do país na próxima década. Os interlocutores não podiam ser mais distintos:
  • no que JS é espectáctulo e teatralidade "comunicacional", MFL é austeridade e autenticidade.
  • no que JS é hábil politicamente, MFL é cautelosa e prudente

  • no que JS manipula, MFL fala verdade

Sobre o debate de ontem (mais de uma hora ...) gostaria de começar por dizer que José Sócrates começou mal: mostrou a sua habitual e já célebre asfixia democrática e a sua prepotência sobre Clara de Sousa ao dizer "não era isto que tínhamos combinado" ...

Julgo que, em geral, JS esteve muito nervoso (um dos pormenores que reparei é que não sabia o que fazer às mãos, estava irrequieto, tendia a franzir sobrolho e a mostrar tiques nervosos) e MFL esteve mais calma e serena.

Sócrates passsou mais de 50% do debate a falar dos governos do PSD-CDS (2 anos e meio em 15 anos de contracção económica dominada pelo PS) como se tivesse receio que se falasse na sua própria governação!

Simultaneamente - como sempre - JS esteve mais hábil e manipulador nos "truques" retóricos (é uma "lebre" compulsiva) e MFL acabou por caír nas garras destas artimanhas ...

Contudo, não nos enganemos: MFL é uma "raposa" experimentada e com "calo": desarmou Sócrates quando lhe disse que havia pressões do governo espanhol no sentido de avançar com o TGV para que Espanha viesse a beneficiar de um aumento dos seus fundos de coesão da UE ... Sócrates ficou admirado, surpreendido e lívido (MFL apanhou-o bem!)

Sócrates foi igualmente certeiro quando apanhou em falso MFL na questão das SCUT's ... MFL revelou alguma insegurança neste ponto e podia ter sido mais assertiva ...

Em geral, acho que MFL superou largamente as expectativas com que partia para este debate: mostrou mais fluência e capacidade argumentativa, não se deixou enervar pelas interrupções mal educadas e permanentes de Sócrates (muitas vezes era só para dizer "Meu Deus, Meu Deus" ...) e revelou autenticidade e, no fundo, a sua imagem de sempre: determinada, séria e credível.

JS, como sempre, esteve agressivo e contra-atacante (ainda que com um disfarce de cordeiro mal morto ou de cordeiro "zombie", como queiram), mas acima de tudo dissimulou aquele que foi o seu estilo sobranceiro de 4 anos e meio de governo ...

Julgo que ficou claro o perfil de cada um, as suas ideias contrastantes e o facto de - nunca como agora - os portugueses terem 2 perfis tão alternativos e distintos para escolher.

As melhores análises que li ao debate são da autoria do Alexandre Homem Cristo, do Afonso Azevedo Neves e de Sofia Rocha.

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